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ENDOCRINOLOGIA A Endocrinologia é uma especialidade bastante nova da Medicina, consolidando-se no Brasil a partir da década de 1970. De lá para cá, seu crescimento foi notório, através de incontáveis descobertas que inclusive conferiram prêmios Nobel de Medicina a pesquisadores da área. Dentre os vários campos de ação do Endocrinologista, destacam-se os distúrbios de glândulas como o Diabetes, Obesidade, problemas de tiróide, distúrbios de ovários ou testículos, doenças da hipófise, osteoporose, entre outros. Sem dúvida, dentre os distúrbios endocrinológicos, a Obesidade é o mais desafiador, por ser o mais freqüente e por apresentar tratamentos que ainda não são satisfatoriamente eficazes. Muito mais do que um problema estético ou psicológico, a obesidade é uma doença crônica que tem múltiplas causas e que compromete a saúde física, mental e social das pessoas. A Endocrinologia tem estudado incansavelmente todas os aspectos da obesidade, na busca de tratamentos a cada dia mais eficazes e que proporcionem melhor qualidade de vida para as pessoas. O endocrinologista também tem o seu papel como integrante de equipe multidisciplinar de assistência ao portador de obesidade mórbida com indicação de Cirurgia Bariátrica. Neste trabalho, o endocrinologista atua como um clínico geral com conhecimento específico em obesidade. Seu contato com o médico Clínico-Endocrinologista, ocorrerá no período pré-operatório, durante a internação para a cirurgia e na fase pós-operatória. A atuação e importância do Clínico / Endocrinologista dentro da equipe incluem : Avaliação clínica e preparo pré-operatório verificam-se sua condição clínica para a cirurgia e orientam-se medidas que garantirão seu bom resultado. No caso de existirem alterações que contra-indiquem o procedimento, cabe ao clínico conduzir a correção destes problemas para sua realização posterior. Acompanhamento durante a internação hospitalar – o clínico verificará sua condição clínica logo após a cirurgia para garantir que tudo esteja equilibrado para a alta hospitalar. Orientações para casa também são fornecidas, especialmente para aqueles que forem portadores de alguma doença como hipertensão ou diabetes. Acompanhamento pós-operatório – o clínico ficará à sua disposição para qualquer dúvida ou sintoma que ocorra no dia a dia, assim como acompanhará sua evolução médica como um todo. O controle médico periódico é fundamental no pós-operatório para que o resultado da cirurgia seja o melhor possível. FISIOTERAPIA A fisioterapia tem o objetivo de minimizar e melhorar a sobrecarga dos sistemas cardíaco, respiratório, vascular, gastrointestinal e músculo-esquelético, para pacientes necessitem ou não ser submetidos à cirurgia. Atua nas inflamações, lesões, dores musculares, articulares, desvios posturais tais como escolioses, hiperlordoses cervicais e lombares. Trabalhamos com exercícios de fortalecimento e alongamento muscular, analgesia, reequilíbrio muscular e articular, reeducação respiratória e Reeducação Postural Global (RPG). Os pacientes obesos apresentam uma respiração curta e menos eficaz, aumentando o trabalho respiratório e, cansaço a pequenos esforços,além de dores e sobrecargas articulares, principalmente nos joelhos e coluna vertebral, caracterizado pelas cervicalgias e lombalgias, inchaços nas pernas e pés, causando dificuldades nas suas atividades de vida diária. O paciente é submetido a uma avaliação prévia para detectar todas estas alterações e dificuldades, para iniciar o tratamento propriamente dito. Para os pacientes candidatos a tratamento cirúrgico da obesidade dividimos a abordagem em pré-operatória, hospitalar e pós-operatória. A fase pré-operatória visa preparar e orientar o paciente para a cirurgia, através de exercícios respiratórios, alongamentos e fortalecimento muscular, exercícios aeróbios como caminhadas e/ou atividades físicas como: hidroginástica , condicionamento físico, e os cuidados durante os dias de internação. O tratamento fisioterapêutico pré-operatório melhora e reeduca a respiração, favorecendo a uma oxigenação pulmonar mais eficaz com menor gasto energético. As caminhadas e exercícios, aumentam a resistência ao cansaço, melhora a capacidade de dormir, tonifica os músculos, melhora e/ou minimiza as dores, queima calorias, ajuda a perder peso reduzindo a tensão abdominal favorecendo a via de acesso durante a operação. Ajuda a controlar o apetite, melhorando a disposição e entusiasmo de modo geral. A fase hospitalar visa à execução e salienta importância dos exercícios orientados anteriormente. Orienta posicionamento no leito e caminhadas durante sua internação, para evitar complicações como a Trombose Venosa Profunda, Embolia Pulmonar e acúmulo de secreções pulmonares. A fase pós-operatória, ou seja, após a alta hospitalar, visa o estimulo para continuar realizando os exercícios com moderação na primeira semana, para que sua recuperação seja mais eficaz e segura. As orientações e o tratamento fisioterapêutico são realizados na própria Clínica sob nossa supervisão, bem como visitas hospitalares e retornos após a cirurgia para esclarecimento do que deve e que não deve fazer no pós-operatório tardio. Quando dirigir ? Iniciar caminhadas intensas ? Atividade física ? Natação e esporte em geral , todas dúvidas que são orientadas e discutidas caso a caso.
NUTRIÇÃO Atualmente fala-se muito a respeito da importância de uma alimentação balanceada para a saúde, mas, afinal, o que vem a ser uma alimentação equilibrada? Como sabermos se estamos nos alimentando corretamente? Devemos saber que não apenas o que se come, mas também como se come, é importante Vamos começar com o que comer: Alimentação balanceada e equilibrada nada mais é do que comer de tudo, isso mesmo, a variedade na alimentação é fundamental para alcançar o equilíbrio. Dentro de cada grupo de alimentos existem sempre alternativas mais saudáveis, por exemplo: Vamos começar com o grupo dos cereais composto pelos pães, massas, cereais matinais - de preferência aos integrais, pois contém maior quantidade de fibras. De 50 a 60% do que comemos deve ser composto por este grupo. Vegetais e frutas devem ser incentivados. Estudos indicam que a ingestão de 5 ou mais porções de frutas e vegetais por dia pode reduzir os riscos de alguns tipos de câncer, hipertensão, problemas cardíacos entre outras doenças crônicas. As carnes também devem ser ingeridas diariamente, sem excesso. Deve-se estimular a freqüência do consumo de peixes, pois alguns tipos como o salmão, a sardinha, arenque, atum, entre outros, contém um tipo de ácido graxo (gordura) rico em ômega–3, o qual pode ser um protetor contra doenças cardíacas. Deve-se ingerir 2 a 3 porções de leite e derivados por dia, dando preferência ao leite desnatado, ao queijo branco e a ricota. Outros segredos: deixe as frituras de lado, coma de tudo com moderação, experimente novos alimentos, aventure-se na cozinha, reduza o sal, utilize condimentos naturais, pois dão um sabor especial aos pratos. E como devo comer ??? Coma moderadamente, evite comer muito ou pouco de um único alimento, não permaneça muitas horas sem comer. Coma calmamente e mastigue muito bem. Faça refeições sentado à mesa. Não coma na frente da televisão ou computador. Bom apetite! Quando este equilíbrio nutricional de que falamos não ocorre, aliado a uma vida sedentária, às facilidades da vida moderna, cheia de escadas rolantes, controle remoto, aliado ainda aos “fast-foods” , entre outros fatores, estes se tornam ingredientes que contribuem para aumentar a incidência da obesidade. Com relação à alimentação as dicas acima são muito importantes, pois ajudam a adquirir novos hábitos alimentares; não é fácil, porém. não desanime e não se esqueça - dê um passo de cada vez. Se falarmos em Obesidade Mórbida todos estes conselhos e orientações são relevantes , porém não suficientes . Neste caso a cirurgia bariátrica é uma alternativa de tratamento, com resultados comprovados pela literatura, melhorando a qualidade de vida destes. No caso da Cirurgia Bariátrica, a alimentação tem um papel importante tanto no período pré operatório pois auxilia no preparo para a cirurgia quanto no pós operatório, onde a dieta deverá ser evoluída gradativamente.
PSICOLOGIA Preciso mesmo da ajuda de uma psicóloga para fazer a cirurgia do estômago? Na verdade, o paciente com o tempo percebe que muitos hábitos alimentares adquiridos desde a primeira infância irão mudar e que isto afetará sua vida como um todo e não só no que diz respeito ao estômago. Então é necessário um apoio especializado para ter uma direção a seguir no pós – operatório. As queixas mais freqüentes dos pacientes estão envolvidas pelos aspectos Psicossociais: Dificuldades para: andar, dormir, caminhar, exercícios físicos em geral, diminuição da libido, vergonha do parceiro sexual, inibição social quanto ao vestuário (tamanho das roupas, comprar roupas) e ir a lugares públicos como: shopping center, praia, clube, festas ou mesmo ir ao trabalho. Vários casos associam as comorbidades como: apnéia do sono, diabetes, hipertensão arterial e problemas ortopédicos variados. Quais são as reações emocionais que o paciente sente frente à obesidade: Ansiedade, depressão, medo e angústia modificam o padrão de ingestão alimentar. Como funciona o tratamento psicológico para obesidade? O atendimento psicológico é realizado visando uma maior adequação social, no trabalho e também no grupo familiar. Elevar sua auto-estima desenvolvendo a aceitação frente à doença e a vida, trabalhando com relação ao próprio preconceito : “sou gordo e preciso me ver diferente disso já que vou emagrecer” “qual é a minha expectativa de vida, ou seja, o que espero de mim mesmo daqui para frente”. Desde quando o acompanhamento psicológico é utilizado no tratamento do paciente obeso? A Obesidade até há cerca de quinze anos ainda era vista com um forte estigma social vindo desde a infância, adolescência até a adultez, acompanhadas por julgamentos sociais negativos como : feio, relaxado, preguiçoso, incompetente, rejeitado, tem falta de controle e de vontade para emagrecer e discriminado no trabalho. Atualmente a obesidade é vista como uma doença que segundo FRANQUES (2002): “…é uma doença que afeta o homem nos seus aspectos físico, psíquico e social… condição clínica multideterminada.” O acompanhamento psicológico ao “doente” foi fortalecido com Psicologia hospitalar, na década de 1990. Muitos trabalhos foram desenvolvidos em hospitais e começaram a justificar o acompanhamento psicológico para os doentes. Dentro da obesidade, podemos dizer que ele teve seu início aí também, mas de 1990 , na universidade já atendíamos crianças obesas. A preocupação com estes indivíduos já era grande principalmente porque existia uma epidemia nos EUA e já havia sido criada uma força-tarefa internacional e esse tema aqui no Brasil também era fruto da preocupação de pediatras, endocrinologistas e dos psicólogos. Sabíamos que era um assunto grave, pouco discutido nos meios de comunicação e que a população estava “leiga” no assunto e deixando os filhos engordarem demais. Relevância psicológica da cirurgia bariátrica nos dias de hoje: Pacientes infanto-juvenis com índice de massa corporal elevado com grande probabilidade se tornarão adultos obesos e através da cirurgia bariátrica terão melhores chances de sobrevida, de trabalho, de felicidade e de saúde mental. Então, hoje é necessário ajudar obesos mórbidos a encontrarem outras saídas que não sejam a limitante obesidade!!!!!! Quando um paciente está apto para a cirurgia? É feita uma avaliação psicológica dos pacientes indicados pelos médicos para procedimento cirúrgico e inclui no mínimo, três entrevistas psicológicas e uma sessão devolutiva. O objetivo principal é observar o estado psíquico em que o paciente se encontra, ou seja, se o mesmo se encontra vinculado à realidade ou não, como ele optou pela cirurgia e se já passou por outros tratamentos clínicos antes do cirúrgico. È importantíssimo que tenha participado das reuniões abertas com pacientes operados, que irão operar, seus familiares e com os profissionais envolvidos O consentimento e apoio familiar são muito importantes e o atendimento dos familiares é utilizado para orientação de como podem ajudar o paciente no processo pós-operatório apresentando uma atitude afetiva e colaborativa. O paciente recebe orientação e preparo para o procedimento cirúrgico onde tentamos desenvolver um comportamento assertivo frente à cirurgia, pós-operatório e dieta líquida para favorecer sua recuperação e melhorar sua colaboração junto ao trabalho médico e nutricional – foco na mudança de comportamento alimentar. Quem não deve ir para cirurgia? Pacientes portadores ou potencialmente mais sujeitos a distúrbios psicológicos graves com histórico de tratamento psiquiátrico seguido de internação ou que fazem uso de medicações que alterem a consciência. Psicóticos, deprimidos graves, usuários de drogas ou álcool, portadores de bulimia ou anorexia. Acompanhamento psicológico na fase pós-operatória A cirurgia da obesidade apresenta uma nova perspectiva de vida. Várias possibilidades se abrem para poder percorrer um novo caminho, uma nova maneira de viver. Alguns pontos devem ser focados abrangendo a melhoria na qualidade de vida: recuperação da auto-estima e dos sentimentos de menos valia, uma re-aproximação social que levará a um contato mais estreito com o lazer, freqüentar festas sem restrições ou sentimentos de vergonha, retomar as atividades esportivas como medida de bem-estar e saúde, fazer as pazes com seu vestuário e poder usar “aquelas roupas” que tanto queria. Você perceberá que com todas essas mudanças o seu corpo irá passando por uma transformação que provocará também novas idéias, novos pensamentos e conseqüentemente mudanças em seu modo de se perceber e agir. Além de encontrar novos horizontes é preciso que ocorra o envolvimento com outros projetos de vida como: cursos diversos, retorno a atividades profissionais e esportivas, passeios, viagens, novas amizades e no vos círculos sociais. Fazemos uma visita hospitalar no pós-operatório imediato como uma medida de apoio e segurança para o paciente e seus familiares. Esse acompanhamento é feito por tempo limitado e é indicado aos casos que não tem distúrbios psicológicos graves e parecem reunir condições para lidar com as modificações que terão que enfrentar após a cirurgia e o emagrecimento. A psicoterapia de longa duração é indicada aos pacientes que irão submeter-se à cirurgia mas que necessitam de um acompanhamento psicoterápico pós-cirúrgico. Não especificamos o tempo de tratamento psicológico, vamos acompanhando o paciente até que juntos decidimos quando é hora de interromper porque ele já se sente pronto para enfrentar suas angústias sozinho. Abertura de uma nova perspectiva de vida após a cirurgia: Emagrecimento tão esperado. Impedimento de uma grande ingestão alimentar. Paciente come pouco mas tem a sensação de saciedade. Redução do peso corpóreo. Mudanças importantes ocorrem na vida do paciente. Pacientes relatam que deixaram de sentir a mesma ansiedade que sentiam antes e, que a necessidade de ingestão excessiva diminuiu. Algumas dificuldades continuam: Dificuldades em lidar com as emoções permanecem. Necessidade de tratamento adequado. Paciente encontra outras “saídas” para continuar sua vida. Orientações medicamentosas para pacientes com depressão: O uso de fluoxetina e outros antidepressivos devem ser retomados (macerados) após a liberação da dieta líquida. Observações gerais: Ainda no hospital, várias vezes observamos que alguns pacientes passam por mudanças intensas de humor, desde euforia evoluindo para a mais terrível angústia, será que eu deveria ter operado? Veja, você passou por um stress pós-operatório que realmente tirou sua vida do cotidiano, então, mãos a obra, vamos enfrentar, mas não esqueça que os profissionais estão aqui para ajudá-lo e que você não está sozinho nessa mudança. Pedir auxílio à sua psicóloga não é sinal de fracasso mas sim de que você está avançando e admitindo que seus sentimentos podem estar confusos e não saber muito bem como agir. |
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